terça-feira, 31 de março de 2015

Manifesto anti-Inércia ou a relevância da Vírgula



Meus valorosos e-letrados, aqui está a nossa tabula rasa comunitária, mesa redonda e maciça de carvalho lavrado, onde nos reuniremos para ver crescer a Palavra. Todos temos em nós esse gérmen inquieto da letra, da tinta, da alquimia da escrita onde se aprisiona o real e o insondável. Mas como não há embrião que se torne humano pleno sem o caloroso buliço de um útero, não há talento e intento que perdurem sem que sejam ininterruptamente nutridos, num esforço conjunto, sinfónico de Vontade e Trabalho. Tomemos este espectro restrito e comum em que vibram as nossas sensibilidades e saibamos melhorar a nossa melodia, converter a cacofonia disconexa do escritor solitário, numa polifonia harmoniosa, em que seremos a nota mais pura de nós mesmos. 
Que nada deixe de caber nesta tabula imensa, com limites tão elásticos como os do silêncio que urge por um trinado: escrevamos crónicas, cartas, excertos romanescos, delírios, lendas, vaticínios, apologias, Poesia ou maldições, mas escrevamos! Que seja esta página como o anjo de S. Mateus, entregando pacientemente os segredos do divino, do etéreo, às mão frementes e humildes de um velho incansável.


O trilho é tortuoso e basto, mas não o trilhemos sozinhos - a irmandade dos intelectos e das almas é a bússola mais competente, o fermento mais sadio! 
Por isso comecemos, sem demora: em frente, pela Palavra!